Uma Conversa Mágica com Evanna Lynch

Uma Conversa Mágica com Evanna Lynch

Para ser sincera, li esta entrevista por curiosidade e fiquei tão surpreendida (na parte de como ela conta que conseguiu o papel de Luna) que decidi traduzir e partilhar com vocês!

O artigo vai ser inteiramente traduzido do inglês, e como tal, algumas das palavras vão ser diferentes, mas na mesma linha de pensamento, se é que me entendem. Se tiver algum erro, peço desculpa!

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“Quando é que ouviste falar pela primeira vez sobre a série Harry Potter? À parte de estares nos filmes, começaste por ler os livros?

Evanna Lynch: Eu tinha 8 anos e estava numa fase em que lia The Baby-Sitters Club. Lembram-se deles? Eu estava obcecada por ser uma mulher, e queria começar um clube de baby-sitter, apesar de ter apenas 8 anos. [risos] Eu sempre adorei coisas mais femininas (girly stuff). Então um dia, a minha mãe chegou a casa, vinda da biblioteca e tinha o livro Harry Potter nas mãos. Ela disse que a minha tia tinha dito que era um livro muito bom e que todos devíamos de lê-lo. Lembro-me da minha primeira reacção, ser assim: “Não quero ler acerca de um menino com óculos” – simplesmente não tinha interesse nisso, então ignorei o livro. Depois a minha mãe estava a ler um capítulo para o meu irmão quando íamos dormir, e eu estava no quarto, e fiquei tipo, “Oh porra, o livro é bom.” Então, quando eles foram para a cama, peguei no livro e foi assim. Acabei de o ler e adorei.

Sinto que é uma história famosa, a história de como conseguiste um papel nos filmes, mas também há muitos equívocos. Como é que realmente aconteceu?

EL: Eu era uma grande fangirl, e costumava ver o fansite Mugglenet, todos os dias, via todas as actualizações de notícias. Fazia isso desde os primeiros filmes, vi todos os anúncios de casting e quem ficava com qual papel, e eu sabia que a Luna estava a chegar. Enviei algumas cartas aos agentes de casting e, na verdade recebi uma carta de volta, a dizer: “Desculpe, você não é da nacionalidade certa para esse papel, mas se houver um papel mais apropriado, entraremos em contacto consigo”. Eu sabia que era o tipo de carta que eles enviavam para as pessoas, para evitá-las.

Então, vi o anúncio de uma audição aberta no fansite Mugglenet. Foi em Janeiro de 2006, e eles disseram que tinham de ser pessoas com as idades compreendidas entre os 13 e os 16 anos, e eu tinha 14 anos, então eu podia tentar. Eles não nos deram nada para nos prepararmos, obviamente. Eu fiz a audição – fiquei na fila durante quatro horas e, quando entrei, entregaram-nos umas falas em papel [dadas aos actores nas audições] por alguns minutos, e logo de seguida tiraram-nos os papéis. [risos] Eles chamaram-me três dias depois e fizemos um screen test, que foi uma semana após a primeira audição, e após três dias desse screen test, eles disseram-me que entrei. Aconteceu tudo tão rapidamente.

Foi rápido, sim.

EL: Foi de loucos, foram menos de duas semanas entre ouvir sobre a audição e conseguir o papel.

Isto vai parecer muito estranho – no outro dia, passei a minha noite de sexta-feira, a ver entrevistas da J.K. Rowling, no YouTube por diversão. E ela disse numa entrevista que o único actor que influenciou a sua escrita sobre uma personagem foste tu. O que sentes ao ouvir isto?

EL: Oh, isso é de loucos.

Incorporaste a personagem tão bem que a J.K. Rowling estava do género “ok, vou escrever sobre o que Evanna faria”.

EL: Não, é tão doido para mim. Ouvi falar disso, e fiquei tipo, [berros]. É um sonho, ter esse tipo de contribuição e ter essa influência. Pessoalmente, vou ler os livros e não ouvir a minha voz. Eu imaginarei a Luna como eu a imaginei sempre, e ela não é exactamente igual a mim, e como eu a interpretei.

Oh, isso é tão estranho, então imaginas a Luna de forma diferente? Como se ela não fosses tu?

EL: Oh, eu chorei quando vi a Ordem da Fénix. Estava na estréia quando vi pela primeira vez, e estava tipo, “Eu arruinei Luna!” Estava tão chateada, e era tão estranho, porque era uma estreia e deveríamos de estar todos felizes, e eu sentia-me como… não como se eu a tivesse arruinado, mas que haviam pequenas coisas que não tinha feito. A minha mãe estava tipo “Não, esquece isso, tens de sorrir!”

Mas não, é incrível. Nunca pensei em influenciar a J.K. Rowling. É realmente humbling (a Evanna é humilde. Não se gaba sobre isso).

Tenho certeza de que já te foi perguntado milhares de vezes, mas como fã, havia alguma parte dos livros de que gostarias de ter feito parte ou explorado mais nos filmes?

EL: Sim, gostaria de poder fazer a cena em que a Luna comenta a partida de Quidditch, que originalmente fazia parte do roteiro. No primeiro rascunho do roteiro que recebi, estava tudo lá, mas depois eles cortaram esse cena. O seu relato era tão engraçado, mas para mim, desportos são chatos, simplesmente não gosto.

Eu penso sempre que se fosse Quidditch, eu definitivamente entraria a 100% nisso, mas provavelmente não o faria.

EL: Provavelmente não! Depois de algum tempo, estás apenas a seguir bolas à volta do campo. Só é emocionante quando o Seeker entra e ele ou ela fazem o mergulho deles. Mas a Luna tornou o desporto engraçado – e é sobre isso que se pergunta, sobre as personalidades dos jogadores e o que os impulsiona.
É por isso que, de todos os desportos, o que mais gosto é de lutas, como o UFC [Ultimate Fighting Championship]. Porque é mais sobre as suas personalidades, enquanto que quando é um jogo de equipa, vemos apenas um borrão de verde e gotas a voar. Então, gostaria de ter feito o relato do jogo. Gostaria de pedir-lhes para colocar a cena de volta, mas não tenho esse tipo de poder.

Recentemente, houve um tipo de ressurgimento no fandom, com Fantastic Beasts e Cursed Child. Qual achas que é o motivo para Harry Potter continuar, mesmo entre 2011 e 2016, quando tudo começou a acontecer de novo? (Julgo que é uma pergunta sobre o motivo que faz com que as pessoas não se esqueçam de Harry Potter e o fandom ainda esteja tão vivo, mesmo passado anos e anos).

EL: Fome raivosa dos fãs. [risos] As pessoas, simplesmente, não querem largar e seguir em frente.

Os fãs mantiveram-no vivo – por exemplo, as convenções [LeakyCon] existiram durante todo este tempo, e os fãs são tão criativos, sabes, com o fanfiction, o wizard rock e os fanarts que eles fazem. Eu vou a essas convenções, e vou sempre à sala de merchandising, porque a arte que eles fazem é incrível, e essas pessoas fazem carreiras com isso. Há cosplayers que fazem isso profissionalmente e há pessoas constantemente a especular e a fazer coisas novas.

Acho que J.K. Rowling vai fazer o que quiser quando quiser, mas tenho a certeza de que ela deve se ter inspirado nessa paixão pelos livros. Eu sei que quando escrevo, vou imediatamente contar a todas as pessoas que me são mais próximas, e depois o meu interesse acaba por morrer, porque contei a demasiadas pessoas, mas ela (Rowling) deve gostar de continuar a compartilhar. Sabemos que o seu mundo é imensamente rico, e vemos isso através do Pottermore e Fantastic Beasts e todas as outras partes do Mundo Mágico. Podemos dizer que ela está ansiosa para compartilhá-lo com as pessoas, e acho que [a paixão dos fãs] deve tê-la inspirado.

Ainda há aquelas pessoas que dirão “Eu gostaria que ela parasse, queria que tivesse terminado com As Relíquias da Morte e que ela deixasse de dizer coisas no Twitter”. Qual a tua resposta a isto?

EL: Pessoalmente, só sinto tipo… olha sabes que mais, a Jo é a rainha do mundo de Harry Potter. Podes não gostar, mas tu não gostas de tudo o que acontece na tua própria vida. Sabes, a tua própria vida segue trajectórias que não planeaste, então só precisas aceitar.

Eu compreendo algumas pessoas que não aceitam Cursed Child, porque não é puramente J.K. Rowling. Eu sei que ela aprovou tudo, e ela esteve bastante envolvida no processo criativo, mas ela não escreveu o livro. Então, para mim, o retrato de Harry não está … correcto.

Sim. Fui vê-lo na primeira noite de pré-estreia, antes do lançamento do livro, então vi sem nenhuma opinião pré-concebida. Adorei como, como …

EL: Se fosse a sua própria coisa.

Sim. E eu acho que é uma peça incrível de teatro. Mas na minha cabeça não a considero canon.

EL: Não o encaixas com o resto do universo. Eu sou igual. É especulativo, mas para mim não é o verdadeiro mundo de Harry Potter. Simplesmente não sentia (a história) como Harry. Eu relaciono-me com pessoas que têm essa mentalidade purista que, se for da mente da J.K. Rowling, então é, mas não é apenas a criação dela, são criações de muitas pessoas, da mesma forma que os filmes são uma amálgama de visões e opiniões de muitas pessoas sobre o universo de Harry Potter, então não precisas aceitar isso. É por isso que parte de mim está sempre um pouco triste por ela não ter escrito a enciclopédia.

Sim! Eu concordo totalmente.

EL: Eu sei que ela fez Pottermore, mas gostaria que ela tivesse feito a enciclopédia, e eu realmente espero que ela a escreva.

Foste uma parte activa do fandom durante anos, não apenas como actriz, mas como fã. Consegues ir a lugares como os parques temáticos e os estúdios da Warner Bros. como fã, ou é um redondo não?

EL: [risos] Não fiz isso com o Studio Tour. Os meus pais foram recentemente – é tão engraçado – eu consegui bilhetes e, aparentemente, todos os guias turísticos foram informados de uma descrição deles e foi-lhes dito para lhes mostrarem todas as coisas da Luna. Eu achei tão fofo!

Para ser sincera, não quero ir. Eu gosto de ir aos eventos e ver os meus amigos e fazer as coisas de abertura, mas não me parece o mesmo tipo de diversão. E, em público, sou uma pessoa muito tímida. Quero ver as pessoas e ler o meu livro. Sinto que se entrar e andar por lá, irei atrair muita atenção.
A única coisa que amo é que às vezes os meus amigos têm filhos que querem ir, e eu adoro ir com eles e ver através dos olhos deles. Muitos deles não viram os filmes, eles são muito jovens e os pais não os deixam, ou eles não leram os livros, mas mesmo que não tenham visto, eles ficam tão entusiasmados com o mundo. Que eu amo.
Eu morei em LA durante cinco anos, então eu costumava ir muito para o de Hollywood. Uso sempre um chapéu – o meu cabelo é que me denuncia.

Sim. Mesmo se não fosses tu, se estivesse lá alguém com esse cabelo, as pessoas ficariam tipo, “Oh meu Deus, ela parece a Luna!”

EL: Sim, mas se eu prender o meu cabelo em cima, as pessoas geralmente percebem, mas só percebem depois de eu me ter vindo embora. [risos]

Última coisa – qual é a tua coisa favorita sobre os fãs de Harry Potter?

EL: Acho que são inteligentes. Eu amo as discussões que têm. Eu estive num painel [no LeakyCon], e ele transformou-se numa discussão sobre a psicologia das casas, e achei isso muito interessante. Acho que eles são mesmo criativos: eles pegam na sua paixão e transformam-na em algo. O fato de eles terem feito esse wizard rock world que não teria existido – mesmo a J.K. Rowling não tinha pensado nisso. Eu adoro como eles estão constantemente a imaginar.

São pessoas tão agradáveis. Sinto que eles amam este mundo por todos os motivos certos, porque eles associam-se com essas pessoas, e acham consolo nas personagens, e eu entendo isso. Eu não gostei de ser uma adolescente – algumas pessoas gostam, eles crescem em dramas, mas para mim eu era desajeitada. e então eu entrei nos filmes, e senti-me ainda mais distante dos meus pares. Mas todas as vezes que eu abria os livros, havia uma personagem que entendia o que eu estava a passar e fazia parecer que era OK, especialmente a Luna, mas também todas as personagens.

Acho que muitas pessoas se sentem da mesma maneira; Harry Potter tem aquele sentimento de casa para eles, enquanto que em muitas séries, shows e livros que são bem-sucedidos, sinto que as personagens são sexualizadas, especialmente as mulheres – não estão realmente na tela, a menos que sejam fisicamente deslumbrantes, ou atraentes. É uma pena, mas é isso que chama a atenção a tanta gente. Mesmo as séries que vejo, essas personagens são como ídolos. Tu olhas para eles porque eles têm algo diferente, ou algo especial, e mesmo que os alunos de Hogwarts tenham magia, eles ainda são adolescentes bastante comuns. Não os vejo como superhuman, e é isso que amo sobre eles.”

©https://www.buzzfeed.com/eleanorbate/evanna-lynch-luna-lovegood-interview?utm_term=.prN9eZ22q#.xfN6dKGGZ

Passei a gostar ainda mais da actriz! Pareceu-me ter os pés bem acentes na terra, bastante humilde mesmo! E tem a mesma opinião que eu em relação a Cursed Child! HAHA. Se quiserem ver a minha opinião, cliquem aqui – só há um problema. Está em inglês ! Oops!

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4 thoughts on “Uma Conversa Mágica com Evanna Lynch

  1. A tradução está muito brasileira, não gostei muito. Mas a entrevista foi algo inspirador, obrigada por partilhares. Mas, tenho uma dúvida, li que ela obteve o papel numa altura que estava doente. Sabes se isso foi verdade? Não mencionam isso na entrevista… Obrigada.

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    1. Eu por acaso tentei colocar mais portuguesa que brasileira. E não quero mudar muito o que a Evanna dizia em inglês. Porque ela tinha bastantes expressões do tipo “hum” que usamos haha. Mas eu vou rever mais uma vez! Obrigado! Pois, eu também tinha essa ideia da doença mas parece que não é verdade

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